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sábado, 2 de fevereiro de 2013

Ex-dirigente do Atlético-GO é preso pela morte de cronista esportivo

A Polícia Civil prendeu na tarde deste sábado (2) o empresário e ex-vice-presidente do Atlético-GO Maurício Sampaio, suspeito de ser o principal mandante do assassinato do cronista esportivo Valério Luiz. A prisão aconteceu no apartamento onde o suspeito mora, no Setor Oeste, bairro nobre de Goiânia. A vítima foi morta a tiros na porta da rádio onde trabalhava, no Setor Serrinha, na capital, em julho do ano passado.

O G1 tenta contato com a defesa de Maurício Sampaio. Procurado pela reportagem, o irmão do empresário não quis comentar o assunto.

O ex-vice-presidente do Atlético foi alvo de duras críticas de Valério Luiz. Nos programas de rádio e de televisão dos quais participava, o cronista criticou várias vezes a atuação da diretoria atleticana. As emissoras onde ele trabalhava, inclusive, estavam proibidas de entrar na sede do clube.

De acordo com o delegado da Delegacia de Investigação de Homicídios (DIH) Hellyton Carvalho, um dos responsáveis pela investigação, a prisão de Maurício Sampaio foi motivada pelo depoimento de um dos três suspeitos de executarem o crime. Um açougueiro, um policial militar e um suposto funcionário de Maurício Sampaio foram presos na manhã de sexta-feira (1º). De acordo com a polícia, o açogueiro confessou ter atirado no cronista. O delegado afirmou que o açougueiro forneceu informações importantes que apontam o ex-vice-presidente como o principal mandante da execução.

- Nesse momento, ele realmente é o principal suspeito de ser o mandante. E, se for confirmada essa participação, ele irá responder sob prisão provisória até a decisão da Justiça. Não podemos dar mais detalhes para não atrapalhar as investigações - declara o delegado.

Segundo a Polícia Civil, Maurício Sampaio está detido em uma cela especial na Delegacia de Investigação de Homicídios, onde deve prestar esclarecimentos na próxima segunda-feira (4) - enfatiza o delegado Hellyton Carvalho. Em agosto do ano passado, o ex-dirigente do Atlético-GO prestou depoimento sobre o caso e negou relação com o assassinato.

- O depoimento dele acrescentou muito nas investigações. Ele disse que tomou conhecimento do assassinato através da imprensa e que não tinha nenhuma relação com ele. Ele estava tranquilo, calmo, e foi chamado aqui só como testemunha mesmo. Nós o chamamos pelos comentários que o Valério fazia e pela carta que foi endereçada aos veículos onde Valério trabalhava - explicou na época a delegada Adriana Ribeiro.

Execução

O radialista Valério Luiz, de 49 anos, filho do também comentarista esportivo Manoel de Oliveira, conhecido como Mané de Oliveira, foi assassinado, na tarde do dia 5 de julho do ano passado, quando saía da rádio onde trabalhava, na Rua C-38, Setor Serrinha, em Goiânia.

Segundo as investigações, uma moto se aproximou e disparou seis tiros contra a vítima.

Valério chegou a ser socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu aos ferimentos e morreu no local. O cronista esportivo faria 50 anos no último mês de dezembro.

Prisões

De acordo com a delegada Flávia Andrade, da Delegacia Investigações de Homicídios, na linha de participação na morte do cronista esportivo estão o executor e o homem que teria contratado o serviço. A terceira pessoa presa na sexta-feira é um policial militar suspeito de atrapalhar as investigações. Detido na Academia da Polícia Militar (PM), durante o depoimento, ele preferiu não se pronunciar.

Na sexta, a polícia não havia divulgado oficialmente o nome do suspeito de encomendar o homicídio.

- Com relação ao mandante do crime, a gente tem informação passada pelo açougueiro apenas de que o contratante comentou com ele que o crime havia sido encomendado pelo patrão, porém sem citar nomes - explicou a delegada.

O homem suspeito de contratar o açougueiro a mando do patrão prestou depoimento na sexta e negou participação no crime. Questionado se trabalhava para um ex-dirigente do Atlético-GO, respondeu que não.

À polícia, o suspeito de atirar em Valério Luiz contou que mora na casa do ex-vice-presidente do Atlético-GO, Maurício Sampaio, mas não como funcionário e sim devido a uma relação de amizade. O imóvel, no Setor Serrinha, fica quase em frente à Rádio Jornal 820 AM, onde Valério trabalhava, e próximo à cena do crime.

De acordo com promotor do Ministério Público Paulo Santos, que acompanhou o depoimento, ele não paga aluguel para morar na casa, situada em uma das regiões mais nobres de Goiânia.

- Ele cuida das piscinas e disse que tantos os caminhões dele quanto os caminhões do Maurício ficam lá - relatou.

Flávia Andrade confirmou o fato de o preso morar quase em frente à cena do crime.

- O suspeito, por ter uma relação íntima de amizade e negociação com Maurício Sampaio, ficava na casa, não pagava aluguel e tomava conta da propriedade - afirmou a delegada.

by: Globo Esporte

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