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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Mineiros voltam ao trabalho após mortes de grevistas na África do Sul

A mina de platina de Marikana, situada no nordeste da África do Sul, onde 34 mineiros em greve foram assassinados pela polícia local na última quinta-feira, conseguiu retomar sua produção de forma tímida após dez dias dos protestos.

Mark Munroe, vice-presidente executivo de mineração da Lonmin, que é proprietária da mina, disse que a empresa conseguiu reiniciar nesta segunda-feira sua produção, embora de maneira "insignificante", e comemorou que 27% dos empregados tenha comparecido ao trabalho.

"A maioria dos trabalhadores não está em greve, e não pôde ir trabalhar devido à violência que cercou essa greve ilegal", acrescentou o diretor.

A direção não mencionou, no entanto, a reunião de cerca de 3 mil pessoas pouco antes no acampamento dos mineiros, onde os líderes do protesto decidiram continuar a greve até conseguirem sua reivindicação de melhora salarial, e receberam o apoio de chefes tribais da zona, políticos da oposição e organizações da sociedade civil.

Greve

Cerca de 3 mil mineiros iniciaram uma greve no último dia 10 de agosto para exigir um aumento salarial, o que acabou em uma sangrenta tragédia, na qual 34 mineiros em greve foram assassinados pelas polícia em uma ofensiva contra um grupo isolado.

Com a intenção de dar fim ao impasse, a Lonmin e os sindicatos dos mineiros também se reuniram nesta segunda-feira.

Até o fim da tarde desta segunda-feira, a Associação de Trabalhadores da Mineração e Construção (AMCU), sindicato minoritário que iniciou a greve no dia 10, ainda não havia alcançado um acordo com a direção de exploração da mina de platina.

A companhia - cujos diretores apresentaram juntamente com o sindicato majoritário União Nacional dos Mineiros (NUM) o número de mineiros que voltaram ao trabalho - chegou a prorrogar até as 6h locais de amanhã (3h de Brasília) o ultimato dado aos mineiros para voltar ao trabalho ou sofrer demissão, devido às "circunstâncias atuais", em referência à extrema tensão vivida nos arredores da mina.

Os grevistas devem se reunir na terça-feira de manhã e avaliar o ultimato de Lonmin.

No total, desde o início da greve, 44 pessoas foram mortas, o que se transformou no protesto mais sangrento da África do Sul depois do fim do regime racista do apartheid, que caiu no início dos anos 90 e que governou o país durante quatro décadas.

Ainda nesta segunda-feira, a África do Sul iniciou uma semana de luto oficial, que foi decretada no domingo pelo presidente sul-africano, Jacob Zuma. Segundo ele, o funeral oficial será realizado na próxima quinta-feira.

By: Último Segundo

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