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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Batidão de Deus: Bailes gospel de funk atraem fiéis no Rio

Para entrar no caminho de Deus é preciso enfrentar fila. Na maioria das vezes, retenções (de pessoas)  que, em bondes, querem chegar à pista principal “no passinho, no passinho, no passinho dos varões” (como são chamados os homens evangélicos) ou no das varoas (as mulheres). Tudo para (re) encontrar o amado, Jesus Cristo, nos bailes gospel que atraem cada vez mais cristãos para a noite carioca.

Um deles ocorre todo mês no ginásio do Bangu Atlético Clube, onde jovens de 12 anos a pastores de 60 dançam ao som do tamborzão, até as 6h, no Baile Gospel Os Cocadas (o nome é em alusão aos cristãos mais animados). A balada é organizada pelos MCs convertidos Leozão e Diego e pela mulher de Leozão, Bruna Martins, com o apoio da Ministério Libertos para Adorar, uma igreja sem espaço físico (só espiritual), aberta há um ano.

— Aqui não há bebida, sexo nem drogas. Sinto que a cada mês a frequência no baile cresce 10%, sendo que 30% dos frequentadores não são evangélicos — afirma o pastor Alessandro Annechine, que não foi ao último baile, no dia 19 de maio, porque é militar e estava de plantão.

O clube, que é aberto às 22h, enche de repente, como num “milagre”, por volta da meia-noite. Na fila chegam meninas “daquele jeito: de, de sainha” vestida por cima de legs e calças jeans, é claro. Nos pés, prevalecem tênis esportivos e sapatilhas.

— Não usamos nada que provoque escândalo, ou seja, que deixe pernas e bumbum à mostra. Mas a vaidade feminina não é um pecado. Só que não me produzo para uma noitada e sim para adorar — diz  estudante Fernanda Doria, de 23 anos.

A recepcionista Monique Gomes, de 19 anos, emenda:

— Isso não é uma exigência da igreja. Nossa intenção é chamar a atenção de Jesus — afirma Monique.

Quem não paga R$ 15 (o valor do último lote de ingressos para homens e mulheres) pode ficar mais perto de Deus, no segundo andar do clube, em um dos três camarotes a R$ 20 (a vantagem são mesas, cadeiras e vista privilegiada para o palco). A noite, que começa com hip-hop e charme, só é interrompida depois da meia-noite para uma pregação.

O DUELO NO BAILE

— O propósito do baile gospel é ganhar pessoas para fazer delas discípulos. A igreja entende que Deus é criador de todos os estilos. O funk ou o eletrônico são atrativos. As pessoas vêm, Deus enlaça o coração e elas se rendem — diz Valmer Ferreira, palestrante do último baile.

Com a presença de Deus invocada, o funk começa com direito a cascata de fogos no palco e até a 16 “foguetinhos” sobrevoando o público. E as batidas funk são tão potentes como as ordens para aceitar Jesus.

Com músicas como “Faz o C com a mão”, Diego e Leozão travam um duelo cantando: “O nome dela é Teresa. Minha avó tá na igreja”

By: Extra


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