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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Aconteceu no Mundo #6

Há  exatos 40 anos, no dia 24 de janeiro do ano de 1972, o soldado japonês Shoichi Yokoi, foi encontrado na ilha de Guam ainda em guerra com os Estados Unidos, 27 anos após o fim da II Guerra Mundial.

História

O soldado Yokoi foi alistado no Exército Imperial Guam, no Oceano Pacífico, então ocupada pelos japoneses após o ataque a Pearl Harbor, que deu início ao conflito naquela região. Quando os norte-americanos recuperaram a ilha em 1944, Yokoi embrenhou-se na selva para evitar a rendição às tropas inimigas.

Nos primeiros tempos em que se manteve escondido, ele caçava à noite mantendo-se fora das vistas durante o dia e usava as plantas nativas da ilha para fazer roupas, forro para cama e fornecimento de alimentos, que ele escondia na caverna no buraco que passou a habitar. Shoichi temia ser morto caso caísse nas mãos dos habitantes de Guam, devido ao tratamento dispensado à população civil da ilha pelos japoneses durante a guerra e por 28 anos escondeu-se numa gruta no terreno de uma parte desabitada da ilha evitando ser descoberto e recusando-se a se entregar mesmo após achar folhetos que anunciavam o fim da II Guerra Mundial.

Na tarde de 24 de janeiro de 1972 Shoichi Yokoi foi descoberto nas matas de Talofofo por dois caçadores locais, Jesus Duenas e Manuel DeGracia, que verificavam as suas armadilhas para camarões ao longo de um pequeno rio da região. A princípio eles imaginaram que Yokoi fosse um habitante local, mas identificando-o depois como japonês o subjugaram de surpresa e o prenderam, carregando-o para fora da selva com algumas contusões. Soldados japoneses extraviados haviam assassinado a sobrinha de DeGracia logo após o fim da Batalha de Guam e Duenas teve que convencer o seu companheiro de caçada a não matar o japonês ali imediatamente.

“Foi muito constrangedor para mim ter retornado com vida”, disse Yokoi ao chegar de volta a seu país, com seu rifle de combate a tiracolo, numa frase que se tornaria um ditado popular no Japão.

Seu aparecimento quase trinta anos após o fim da Segunda Guerra Mundial transformou Shoichi numa celebridade e alvo de reportagens em toda a mídia mundial. Após uma turnê tempestuosa por todo seu país, quando despertou a atenção, simpatia e curiosidade de milhões de compatriotas, ele casou- se e estabeleceu-se na área rural de Aichi. Tendo vivido solitário numa caverna por 28 anos, ele se tornou uma figura popular na televisão japonesa e asiática e um advogado da vida austera. Em 1977 foi tema do documentário de sucesso Yokoi and His Twenty-Eight Years of Secret Life on Guam (Yakoi e Seus Vinte e Oito Anos de Vida Secreta em Guam).

Em 1991, aos 75 anos de idade e dezenove anos após seu reaparecimento, Shoichi Yokoi teve a maior honra de sua vida, ao ser recebido em audiência pelo Imperador do Japão, Akihito, ocasião para a qual chegou a preparar um discurso de arrependimento a ser lido para Sua Majestade.

Yokoi morreu em 1997, aos 82 anos, de ataque cardíaco em Nagoia, sendo enterrado no cemitério da cidade, na mesma tumba destinada à sua mãe, ali enterrada em 1955, quando ele ainda era um solitário soldado escondido nas selvas de Guam.


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