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quarta-feira, 29 de maio de 2013

O direito de parecer preguiçoso, antipático e sem maquiagem


Tinha ido dormir determinado a cruzar a cidade de bicicleta na manhã deste domingo. Mas o sol, ao se levantar, levou a determinação para passear sem me convidar para ir junto.
Analisando com cuidado e comparando cansaços pontuais com preguiças sistêmicas, não me meto em metade das coisas nas quais eu me metia quando tinha metade da idade que tenho hoje. OK, convenhamos que eu era um alucinado. Entrava em toda discussão, da cor da margarina ao sexo dos druidas, como se o resultado daquele debate fosse fazer o planeta parar de rodar.
Lembro, por exemplo, que não achava estranho quando o pessoal de um dos centros acadêmicos da universidade organizava atos contra o estado das coisas em uma sala de aula, a portas fechadas, às 22h de uma sexta-feira, com discursos longos que rompiam a madrugada, protestando para eles mesmos. Hoje, eu mandaria entregar pizza no evento.
Apesar de ainda gastar muita saliva à toa, desisti de 83,7% dos bate-bocas. Em diversas ocasiões, chego até a abrir a matraca, mas fecho logo em sequência quando penso que minha intervenção não irá gerar um fiapo de reflexão nos outros ou de mudança no meu próprio pensamento. Quem lê isso e me conhece, não acredita, pois ainda sou um mala. O fato é que o mala podia ser pior.
E o que digo não é chute, não. Foi atestado cientificamente. A mãe psiquiatra de uma amiga, que aos 18, me diagnosticou com um “Leonardo, você fala demais”, pouco tempo atrás reafirmou categoricamente e sem espaço para dúvidas algo do tipo “Leonardo, você está falando menos”.
Isso para quem acorda e dorme com comentaristas espumando de raiva no próprio blog é uma baita qualidade.
Outra amiga diz que a gente fica mais esperto e não gasta energia em coisa que não vale a pena. O que não se aplica, claro, a andar de bicicleta. Gostamos de dizer que se ganha vivência com o tempo. Mas, nesse caso, o que chamamos de sabedoria é um misto de experiência com preguiça e falta de paciência.
Essa mesma amiga estava, há pouco, preparando café da manhã para os dois filhos e mais três coleguinhas que se ajuntaram em uma festa do pijama em sua casa. Passado o #momentodepressão (como assim os filhos dos meus amigos já fazem festa do pijama?!), a sua disposição quase me comoveu a tirar a bicicleta da garagem. Quase.
Mas aí me espelho em outros exemplos. Um escritor – foge-me sorrateiramente o nome neste momento – tem um carimbo com algumas opções de dedicatórias que ele usa em noites de autógrafos de seus livros. Carimba, marca a opção que tem mais a cara do seu leitor com um “X” e rubrica. Antipático e doce, como deve ser uma crítica sutil a esses rituais, ao mesmo tempo.
Por favor, não pensem que estou ovacionando pura e simplesmente o direito à preguiça – apesar dele ser completamente necessário, ainda mais em uma sociedade da velocidade, da mudança e do movimento que produz aberrações loucas que não conseguem parar nem em um domingo de manhã e ficam com os dedos coçando para botar para fora uma energia que poderiam estar queimando com um exercício físico. Como eu.
Defendo o direito de parecer preguiçoso e antipático, descabelado e sem maquiagem. O que está cada vez mais difícil, ainda mais em tempos de redes sociais em que o pessoal que leva sua imagem a sério demais, que querem se mostrar com certa pompa até quando não estão fazendo absolutamente nada. São capazes de postar o seu cocô na timeline, mas com o cuidado de decorá-lo com flores e temperos mediterrâneos.
Não entendeu? Deixa pra lá.

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